Heretics – VIII
Artigo generosamente cedido por Ieda Marcondes de seu Tumblr: http://iedamarcondes.tumblr.com
O verdadeiro sensacionalismo, do qual eu gosto muito, pode ser moral ou imoral. Mas mesmo quando muito imoral, ele requer coragem moral. Pois surpreender qualquer um é a coisa mais perigosa a se fazer. Se você faz com que qualquer criatura alerta pule, não é nada improvável que ela pule em você. Mas os líderes do novo jornalismo não possuem coragem moral ou imoral; seus métodos consistem inteiramente em dizer, com letras grandes e ênfase elaborada, as coisas que qualquer um diz casualmente e depois nem se lembra de ter dito.
Alguns dizem que estes jornais não devem ser sequer considerados, mas neste problema da leniência e da mansidão estão traçados um problema muito maior. O jornalista de Harmsworth começa com a veneração do sucesso e da violência, e termina em timidez e mediocridade. Mas ele não está sozinho nesta, ou tampouco acabou assim pela coincidência de ser pessoalmente estúpido. Todo homem, não importa quão corajoso, que começa venerando a violência termina invariavelmente em timidez. Todo homem, não importa quão sábio, que começa venerando o sucesso termina em mera mediocridade. Este destino estranho e paradoxal tem a ver não com o indivíduo, mas com a filosofia, com o ponto de vista. A veneração do sucesso é a única de todas as possíveis venerações cujos seguidores estão condenados a se tornarem escravos e covardes. Quando o triunfo se torna o teste de todas as coisas para os homens, eles nunca duram o tempo suficiente para triunfar em coisa alguma. Enquanto tudo for esperançoso, a esperança é apenas uma lisonja ou uma platitude; apenas quando tudo está desenganado é que a esperança começa a ser força. Como todas as virtudes cristãs, é tão irracional quanto indispensável.
Os aventureiros modernos desejam força; e para eles, desejar força é admirá-la. Eles não percebem que é óbvio que aquele que deseja se tornar forte deve detestar os fortes. Eles procuram ser tudo, ter a força toda do cosmos, a energia que move as estrelas. Eles não percebem dois grandes fatos – primeiro, na tentativa de ser tudo, o passo inicial e mais difícil é se tornar alguma coisa; segundo, que no momento em que um homem se torna alguma coisa, ele está essencialmente desafiando a tudo.
Mas o animal racional corre um perigo horroroso, o de que ele pode falhar ao perceber o próprio fracasso. Quando sociologistas modernos falam da necessidade de se acomodar à tendência do momento, eles esquecem que a tendência do momento, na melhor das hipóteses, é feita inteiramente por pessoas que não se acomodarão à nada. Na pior das hipóteses, consiste de milhões de criaturas assustadas se acomodando à uma tendência que nem existe. Todo homem que se refere à opinião pública se refere à opinião pública menos a própria opinião. Todo homem deixa sua contribuição no negativo sob a impressão errônea de que a contribuição do próximo está no positivo. Todo homem submete seu gosto ao tom geral que é em si mesmo uma rendição. E sobre essa unidade sem coração e asinina que se espalha essa mídia nova e entediante e óbvia, incapaz de invenção, incapaz de audácia, capaz apenas de servidão desgostosa porque não é nem mesmo uma servidão aos mais fortes. Mas todos que começam com força e conquista terminam assim.
O “Novo Jornalismo” é simplesmente um jornalismo ruim. Sem comparação alguma, o trabalho mais sem forma, sem cuidado e sem graça feito nos dias de hoje.
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